Há tempos me deprimo negligente com as excentricidades. Não ando, não noto, não contamino. Seiva infrutífera. Solstício do silêncio.
Muitos desses sinais passaram, voltaram?, e eu recluso. Mergulhado na pretensão de ser esquecido, parti-me apavorado como quem recusa as carapaças. Mas não há como fugir desse aspecto de canceriano sem-lar, o voo uma hora desmonta – o baque uma hora se cansa.
Muito além do signo aquático, há também esse meio-termo que devora lama, estado larval que se desenvolve sob a arquitetura das coisas mortas. Viver menos, viver como bem entender, mesmo que isso custe a desaprovação de Netuno – e ainda assim carregar a marca de ser passageiro em qualquer pele.
Não faz muito tempo que sonhei com Besouros, mas não me recordo de mais nada. Eram alguns que não impressionavam, não tão coloridos, não tão catastróficos. E o fascínio me arquejou. Dessa noite para cá me perdi na admiração e não registrei a maioria. Alguns quiseram ser fotografados, outros optaram por me observar.
Não sou tecnicista ou tenho a literatura como um emprego, a obrigação de acordar e escrever não é minha. Sou movido por paixões, e por isso falho. Por isso me atrevo a trabalhar em um novo livro dedicado a esses insetos: coleópteros. Entre tantas coisas, já fui comparado a um inseto. Se recebi esse elogio, é a minha vez de viver uma elegia.
Muito em breve as poesias ganharão asas: ÉLITRO.







